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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Uma relação entre Teoria dos Sistemas, Complexidade e Educação

Uma relação entre Teoria dos Sistemas, Complexidade e Educação

O título de um artigo de Varela (2001)[1] “ O caminhar faz a trilha”, me sugere, perfeitamente que o sujeito nas suas relações eco-sociais, cria as possibilidades da construção da sua realidade circundante. Esta realidade é subjetiva e relativa. É subjetiva, pois, a minha realidade é a composição das minhas interações e das minhas possibilidades, dentro daquilo que eu consigo realizar ou apreender. É relativa, pois, sendo possibilidade, ela pode ou não ocorrer e a sua ocorrência, nem sempre é condição que eu possa de plena consciência e vontade, estabelecer a intensidade e a extensão.

Da mesma maneira que “O caminhar faz a trilha”, isto é, são nossas relações que fazem as composições eco-social do sujeito, a trilha, de alguma forma, também faz o sujeito, numa relação de reciprocidade. Partindo-se do princípio que tanto a caminhar e a trilha são fruto de relações de ocorrências e estas ocorrências podem ser: sujeito – sujeito; sujeito – trilha ou trilha – trilha. Onde estou aqui subtendendo trilha como a gama de possibilidades de interações que ocorrem na natureza, sem a interferência do sujeito.

Talvez não devessemos falar “se apropriar-se da leitura” ou “se apropriar do conhecimento”.

O conhecimento, e suas manifestações, como a leitura, a escrita ou qualquer outro tipo de fazer social, é algo subjetivo. Apropriar-se nos leva a uma noção de “possuir”, “ter”, como sendo algo físico, palpavél.

Quando o sujeito interage com algum tipo de situação a “trilha” na qual o sujeito esta interagindo, poderá sofrer mudança na sua forma subjetiva de interpretação de mundo. O sujeito não se apropriou de conhecimentos, mas sim, estabeleu uma nova forma de interpretar suas as suas referências e suas relações. Por exemplo, quando uma criança aprende a decodificar os símbolos de interpretação na leitura e da escrita, há neste ato, uma nova situação de ampliação de suas relações sociais da ordem que este sujeito cria uma nova visão de mundo onde, desta forma passa a interpretar e utilizar os significados da realidade de uma forma mais abrangente, a qual seria de outra maneira, sem a intepretação na situação anterior, ou seja, sem a simbologia dos códigos de leitura e escrita.

Uma realidade vai existir para o sujeito que decodifica os códigos de leitura e escrita ou não, mas, estas realidades ou subjetividades, com e sem os códigos, serão de amplitudes e dimensões diferentes.

Assim, o sujeito pode passar a vida toda sem ter esta visão da realidade circundante - sem a decodificação símbólica da leitura e escrita. Mas, a partir deste novo referencial de informação, haverá uma nova forma de interpretação daquilo que ele já havia apreendido antes da fase sem os conceitos da decodificação simbólica da leitura e escrita.

A partir da criação de um novo significado, este se materializará na forma de conceitos mais complexos sobre a realiadade. A cada nova situação de interação social mais complexa fica a sua visão de realidade. Fundamentalmente, se esta interação se faz dentro de situações que favoreça a utilização de suas potencialidades intelectuais.

A ampliação do referencial da realidade circundante do sujeito, sua noção de mundo e da realidade, não se resume a uma mera aquisição de conhecimento, mas, a uma forma mais elaborada de compreender os fenômenos que compõe sua trajetória histórica e humana, enquanto sujeito, da sua própria vida.

Este outro estado de interpretação leva a mudanças de atitudes e de comportamentos. O aprendizado muda a forma de agir, de pensar e de interagir com a realidade.

Não estou dizendo com isto que existe uma única realidade a qual todos devemos nos apreender dela, mas, a realidade, por ser subjetiva, ela é individual e por ser multipla, é compartilhada Quando mais elementos ou informações o sujeito tiver para compor a sua e intepretar se correlacionando com as demais, maior e o horizonte de possibilidades de relações, interpretações e correlações.


[1] In Gaia – Uma Teoria do Conhecimento, editora Gaia, São Paulo, 2001 pag 45

2 comentários:

  1. Amigo querido!
    Muito bom seu blog e os registros
    de suas idéias. Parabéns.

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  2. Parabéns pelo blog....é um arquivo que permite, após um tempo de postagem, ter como consequência a edição de um livro. Aqui as idéias vão fluindo..........
    Ester Franco

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